sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A arte de brincar

Edinara Michelon Bisognin
Francieli Fréu
Jucilene Concencio

A criança tem necessidade de brincar desde os primeiros momentos de sua vida, pois é através do brincar que passa a conhecer o mundo e a si próprio. Além destes conhecimentos, brincar também estimula a criatividade e contribui para o desenvolvimento saudável das capacidades físicas, mentais e sociais.
Como o brincar é uma atividade muito intensa, especialmente nos primeiros anos da infância, da mesma forma, intensos são os resultados deste ato, uma vez que é através do brincar que a criança manifesta seus medos, conflitos, angústias e fantasias. A partir destas manifestações, a criança pode modificar algumas situações, especialmente as mais difíceis, ou até mesmo resolvê-las. Tudo isso para satisfazer suas necessidades.
Entretanto, esta não é a única satisfação, uma vez que o brincar também satisfaz algumas fantasias que na vida real normalmente não são permitidas. Isso acontece porque, para a criança, o brinquedo adquire vida e com ele é possível, além de explorar a realidade, experenciar diferentes papéis: ora é mocinho, ora é bandido, ora é fada, ora é bruxa. Assim, o brinquedo permite expressar sentimentos e emoções, os quais, vivenciados no dia a dia, podem gerar sofrimento, mas, no mundo da fantasia, podem ser transformados e é essa transformação que possibilita a eliminação do sofrimento.
Por estas e por tantas outras razões, é importante que os adultos em qualquer contexto, sejam pais ou professores, proporcionem às crianças momentos em que possam brincar. Nessas brincadeiras vale tudo: massa de modelar, desenho livre, retalho, sucata, enfim, tudo o que possa ser transformado de acordo com a criatividade de cada criança.
Como o brincar é uma maneira de aprender algo do mundo e do ser humano, além de desenvolver as capacidades da criança, pode ser uma boa maneira para ela conhecer sobre seus próprios limites, pois sabendo que brincar é fingir, é possível aprender distinguir fantasia de realidade.
O brincar, ato lúdico e criativo, é tão sério quanto o trabalhar na vida adulta, tanto que o brincar, ou o não gostar de brincar, pode ser um indicativo de que algo não está bem, pois a criança precisa, de alguma forma, expressar suas mais autênticas e verdadeiras emoções. Sendo assim, estimular brincadeiras e proporcionar momentos de lazer e de bem-estar pode ser uma excelente maneira de promover a saúde física e psíquica de nossas crianças.
Referências:
ABERASTURY, A. A criança e seus jogos. P.A. Ed. Artes Medicas 1992.
WINNICOTT, D. o brincar e a realidade. R.J. Ed. Imago 1992.
DUARTE, I. Brincar de verdade: um estudo da atividade lúdica na práxis psicanalítica. Sociedade Psicanalítica de P.A. 2004.
LEBOVICI, S. & DIATKINE, R. O significado e a função do brinquedo na criança. P.A. Ed. Artes Medicas 1986.

NPE – Núcleo de Psicologia Escolar URI-FW – Fone: (55) 3744-9253
Professora Responsável: Edinara Michelon Bisognin
Estagiárias: Leiza Mokwa, Micheli Coelho e Paulina Cecilia Mantovani.

Nenhum comentário: