segunda-feira, 13 de julho de 2009

Na edição 318 você encontra:

Reflexões sobre as dificuldades de aprendizagem

DISORTOGRAFIA: MANIFESTAÇÕES E ORIENTAÇÕES

Emanuele Barretta

Manifestações Disortográficas

Incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral, havendo trocas ortográficas e confusão de letras:
Confusão de letras (trocas auditivas):
- consoantes surdas por sonoras: f/v, p/b, ch/j (Faca/Vaca; Porta/Borta; Chave/Jave)
- vogais nasais por orais: an/a, en/e, in/i, on/o, un/u (anjo/ajo, acendeu/acedeu)
Confusão de sílabas com tonicidade semelhante: cantarão/cantaram.
Confusão de letras (trocas visuais):
- forma simétrica: b/d, p/q
- forma semelhante: m/n, e/a, b/h, f/t
Confusão de palavras com configurações semelhantes: pato/pelo.
Uso de palavras com um mesmo som para várias letras: casa/caza, azar/asar, exame/ezane (som do z).
Além dessas trocas podem surgir dificuldades em recordar a sequencia dos sons das palavras, que são elaboradas mentalmente. Surgem então:
- Omissões: em dígrafos - rr, ss, qu (cachorro/cachoro); de letras em grupos consonantais (gr, bl) blusa/busa); de letras em grupos vocálicos (ai, ae, au) cadeira/cadera; de sílabas em palavras (patinete/panete);
- Adições: de letras (crânio/carânio, árvore/árvovore); de sílabas (boneca/boneneca);
- Inversões: alteração na posição de letras ou sílabas (irmão/rimão, capacete/pacacete).
- Fragmentações: separação ilógica de palavras (encontraram/en contraram; aparecer/a parecer);
- Aglutinação de palavras - Junções (Um dia o menino/Umdia o menino);
- Contaminação: na palavra, de uma letra por outra próxima (brincadeira/brindadeira).
Dificuldade em perceber as sinalizações gráficas (parágrafos, travessão, pontuação e acentuação) e seus textos são reduzidos.

Orientações:
- Estimular constantemente a memória visual através de quadros com letras do alfabeto, famílias silábicas e números, para que a criança possa utilizá-los enquanto faz seu trabalho escrito.
- Não exigir que a criança escreva vinte vezes a palavra que havia escrito incorretamente.
- Proporcionar atividades com jogos e brinquedos preferencialmente os que contenham letras e palavras.
- Buscar valorizar primeiro as suas respostas orais do que as escritas.
- Quando realizar avaliação escrita, elaborar mais avaliações e com menos conteúdos.
- Na maioria dos casos é recomendado acompanhamento fonoaudiológico.
- Não reprimir a criança e sim auxiliá-la positivamente.
Pedagoga e Especialista em Educação Especial.


Curiosidades...
Você sabia que o Brasil é um dos países do mundo que mais exporta animais silvestres ilegalmente?
É um negócio que movimenta mais de 1 bilhão de dólares e comercializa cerca de 12 milhões de animais anualmente. Uma das maiores ameaças à natureza. Para ajudar você saber mais sobre o assunto, acesse o site: www.faunabrasil.com.br e colabore nessa luta pela salvação da fauna brasileira.


O Brasil tem uma grande quantidade de plantas carnívoras, que atraem, prendem e digerem... os insetos. Somos o segundo país em número de espécies (o primeiro é a Austrália). São 4 gêneros de plantas e mais de 100 espécies espalhadas pelo Brasil. Elas vivem em solos úmidos, mas ao mesmo tempo ensolarados.

Rindo a toa...

1. Qual é a piada do fotógrafo?
2. O que é que sobe quando a chuva desce?
3. Você sabe em que dia a plantinha não pode entrar no hospital?
4. O que é um monte de pontinhos coloridos no meio do mato?
5. Qual é o cúmulo da organização?
6. Por que o macaco-prego tem medo de entrar na água?
7. O que a campainha disse para o dedo?
RESPOSTAS:
1. Ninguém sabe, pois ela ainda não foi revelada.
2. O guarda-chuva.
3. Em dia de plantão.
4. Formigas treinando para o carnaval!
5. Tomar sopa de letrinhas em ordem alfabética.
6. Por causa do tubarão-martelo.
7. Não me aperta, senão eu grito.

Sete de setembro

E a psicologia, o que tem a dizer?
(In)dependência do Brasil: o que a Psicologia tem a ver com isso?

Geisa Francieli Bonatto
Suelen Ferrabolli Zanco

“Amigos do Saber”, “E a Psicologia, o que tem a dizer?”, “Mês da Independência”... Vincular um jornal pedagógico à ciência psicológica e à (in)dependência do Brasil possibilita refletir sobre a influência da mídia na construção da identidade cultural. E, ao admitir a influência da mídia na construção da identidade cultural, estamos reconhecendo a nossa (in)dependência ou, porque não dizer, “pseudoindependência”. Esse “(in)” e/ou “pseudo” significa dizer que somos construídos a partir de uma cultura que é direta e diariamente influenciada, portanto nos dizer “independentes” é não reconhecer as influências a que somos submetidos.
Todos os meses “E a Psicologia, o que tem a dizer” acompanha a temática do jornal a partir de um “pensar psi”. Nessa perspectiva, as reflexões do mês de setembro nos remetem a um “pensar Brasil”, e pensar Brasil requer pensar o sujeito brasileiro ou a constituição do sujeito brasileiro e os fatores que interferem nessa constituição. Que fatores são esses?
Nesta perspectiva, é inegável o papel da mídia, uma vez que as informações veiculadas pelos meios de comunicação contribuem de forma significativa na construção da nossa cultura, e consequentemente, influenciam na construção do sujeito brasileiro, uma vez que somos submetidos a ser, pensar e agir de acordo com a cultura de uma realidade que nos é imposta. Porém, muitas vezes não nos damos conta dessa interferência, a qual atua como uma “máquina”, produzindo gradativamente a identidade cultural do povo brasileiro.
Por exemplo, a televisão, ao mostrar formas de conhecimento e lazer, faz circular uma série de valores e concepções sobre quem somos, uma vez que, não raramente, é ela quem determina nosso jeito de vestir, a música para escutar, os cuidados necessários com a alimentação e a educação de nossos filhos... enfim, a televisão se apresenta como um veículo que se dirige à “educação” e formação das pessoas, assim como a escola e a família. Desta forma, pode-se dizer que a mídia opera efetivamente na constituição das pessoas, ensinando-lhes modos de ser e fazer, interferindo significativamente no conceito de certo e o errado.
Nos dias atuais, se pararmos para pensar, é possível perceber o quanto somos dependentes de uma cultura capitalista, que prega, por exemplo, padrões ideais de beleza, causando impactos na auto-estima e idealização do corpo dos sujeitos. Perdemos, muitas vezes, nossa própria autonomia, agindo de forma oposta aos nossos reais desejos e vontades, nos tornando meros objetos de controle, vivendo relações artificiais caracterizadas principalmente pelo consumismo e pelo culto a beleza.
Enfim, a mídia é uma instância social que repercute - positiva e negativamente - nos processos de construção da nossa cultura, e consequentemente, na constituição do sujeito brasileiro. Por esta razão, ao nos aproximar do dia da Independência do Brasil, é cabível pensar no paradigma “independência” versus “dependência”, considerando que herdamos uma cultura que foi e é constantemente influenciada, tanto pela miscigenação como pela interação dos povos, o que resulta no que somos e fazemos. De qualquer maneira, mesmo que esta influência seja, muitas vezes, negativa, não podemos deixar de lembrar que é essa diversidade que constitui a beleza de nosso país: um lugar agradável e saudável de viver.

NPE – Núcleo de Psicologia Escolar URI-FW – Fone: (55) 3744-9253
Professora Responsável: Edinara Michelon Bisognin
Estagiárias: Gisela dos Santos, Josiani Galli, Kamila Trautmann, Karoema Dias.

Alguns textos...

E a psicologia, o que tem a dizer?

ERA UMA VEZ...

Cátia Dalla Valle
Geisa Francieli Bonatto
Laura Conterno
Gerusa Binotto Piaia


Branca de Neve, Saci Pererê, Lobo Mau, Cinderela, Cuca, Patinho Feio, Chapeuzinho Vermelho, Pinóquio, Soldadinho de Chumbo... Estes e tantos outros fazem parte dos personagens que habitam o encantado mundo da fantasia, razão pela qual é difícil falar em folclore sem nos remeter a tais personagens.
Mesmo que ouvir uma história infantil não seja garantia de felicidade, certamente ajuda a acreditar no poder da fantasia, pois suas metáforas ilustram diferentes modos de pensar e ver a realidade. Afinal, que outro motivo faria os contos de fadas perpassarem tantas décadas e nunca perderem seu encantamento?
Isso acontece porque, quando acreditamos no poder da fantasia, mesmo sem nos darmos conta passamos a acreditar também no não-envelhecimento dos contos de fadas. Assim, sem cair no esquecimento, esses contos perpetuam nos diferentes espaços, como da escola e a família e possibilitam a construção da identidade.
Evidentemente que sozinhas as histórias não transformam a vida de ninguém, mas oferecem subsídios para que crianças e adultos possam suportar o fardo da vida comum. Assim, é preciso sonhar, pois é deste modo que, além de mascarar o peso da vida, os sonhos permitem às crianças entender que o mundo pode não ser perfeito como nas fábulas, mas é possível melhorá-lo, lançando a esperança de que os bons poderão mudar uma situação.
As crianças refletem com maior nitidez o impacto dos contos, pois se apegam às histórias e as usam para elaborar seus dramas íntimos, dando colorido e forma ao que estão vivendo. Os contos de fadas se tornam lembranças importantes ao penetrarem na subjetividade da criança, portanto, quando vindos de pessoas significativas, tais como a mãe, o pai ou a professora, tornam-se ainda mais associadas às vivências infantis e podem perdurar por muitas décadas.
Deste modo, podemos dizer que trabalhar o folclore é também cuidar emocionalmente da criança, pois a fantasia presente nas historias pode transformar o mundo em algo melhor, mesmo que na imaginação, pois permite lembrar que as soluções são possíveis e que nunca é tarde para sonhar, pois, “uma vida se faz de histórias – as que vivemos, as que contamos e as que nos contam.”

NPE – Núcleo de Psicologia Escolar URI-FW
Professora Responsável: Edinara Michelon Bisognin
Estagiárias: Gisela dos Santos, Josiani Galli, Kamila Trautmann, Karoema Dias.


Reflexões sobre as dificuldades de aprendizagem
(Re)pensando a Disortografia
Edinara Bisognin
Iniciamos no mês de maio, na edição 312 deste jornal, algumas reflexões sobre a complexidade do ato de escrever, momento em que falávamos da “disgrafia”. Dando continuidade a essas reflexões, hoje falaremos de um outro transtorno: a “disortografia”.
A palavra por vezes assusta, entretanto, tem sido comum encontrarmos pais e/ou professores preocupados, queixando-se que seu filho/aluno apresenta dificuldade para escrever. Diferentemente da alteração no traçado - característica do disgráfico - o disortográfico tem dificuldade na aprendizagem e no desenvolvimento da linguagem escrita, isto é, apresenta erros na escrita das palavras. Convém salientar que esta dificuldade não está, necessariamente, associada à dificuldade da leitura - a dislexia.
Em relação às causas, estudos sugerem que as lacunas de base, resultantes de uma aprendizagem incorreta da leitura e da escrita, podem ocasionar insegurança para escrever, assim como, em etapas posteriores, possíveis déficits na aprendizagem de normas gramaticais podem resultar em erros ortográficos, os quais, muito provavelmente, não aconteceriam se não existissem aquelas lacunas produzidas no início do conhecimento gramatical da língua.
Os erros mais frequentes na disortografia são omissões (ex. mamadeira = mamadera) ou inversões de letras (ex. motoca – mococa), confusão de sílabas (brincaram = brincarão), aglutinação das palavras (ex. brincamos deboneca), separação indevida das palavras (ex. brinca mos de boné ca), troca de fonemas (pote = bote) ou ainda adição de sílabas (mototoca).
Muitas vezes, consciente de suas limitações, o disortográfico não tem vontade de escrever e, quando o faz, é comum encontrarmos textos reduzidos, em que o autor dificilmente respeita as sinalizações gráficas, como parágrafos, pontuação e acentuação.
É importante ressaltar que esta dificuldade de aprendizagem, quando não reconhecida a tempo, pode causar limitações no desenvolvimento cognitivo e escolar da criança, assim como a falta de conhecimento sobre a problemática pode levar ao rótulo de “preguiçosa” ou “burra”, imposto pelos colegas, pela escola ou pela própria família. Tais rótulos, além de reforçar a dificuldade e impedir a superação das barreiras impostas pela disortografia, podem ocasionar insucesso escolar, perda da auto-estima, ou ainda, em casos extremos, até depressão.
De qualquer forma, a disortografia, por si só, não é considerada uma doença, mas uma dificuldade superável através de acompanhamento adequado. Os profissionais que trabalham com disortográficos, como psicopedagogos, pedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos focam os estímulos na memória visual, especialmente das letras e dos números, o que, aliás, não só pode como deve ser reforçado pelo professor e pela família.
Colaboração: Cátia Dalla Valle, Geisa Francieli Bonatto e Gerusa Binotto Piaia, alunas do VII semestre do Curso de Psicologia da URI – Campus de Frederico Westphalen.