E a psicologia, o que tem a dizer?
ALIMENTAÇÃO: UMA QUESTÃO DE APRENDIZAGEM
Thais Grossi
Vanessa Balem
Convivemos com uma cultura alimentar em que encontramos os excessos ou exageros gastronômicos, e ao mesmo tempo a restrição do alimento, seja por pressão social, modismo pela magreza, ou a indisponibilidade econômica de grupos sociais, acarretando deficiências nutricionais. Tendo por base que as escolhas alimentares, as normas e regras de alimentação são estabelecidas pelo grupo social, entende-se que a criança não come apenas pela sugestão da fome, mas também pela sugestão do ambiente e do contexto social.
Desta forma, o comportamento alimentar do pré-escolar é determinado, em primeira instância, pela família, da qual a criança é dependente e, secundariamente, por outras interações psicossociais e culturais. Este contexto social tem uma grande importância na alimentação, pois inicia desde os primeiros anos de vida, na interação com os pais, que se dá, em geral, pela alimentação, que, nessa idade, é a amamentação. No segundo semestre de vida, com o crescimento e desenvolvimento acelerado, a criança necessita de outros alimentos além do leite materno para atender suas necessidades biológicas. São nestes primeiros anos que a criança começa a aprender o que comer, quando comer, porque certas substâncias são comestíveis e outras não, e quais alimentos e sabores são apropriados para combinar, de acordo com a cultura do grupo ao qual pertence.
Para uma adequada introdução dos novos alimentos no primeiro ano de vida e uma correta socialização alimentar, a partir deste período, faz-se necessário a disponibilização de variados alimentos saudáveis em um ambiente alimentar agradável, permitindo a criança iniciar a aquisição das preferências alimentares, responsáveis pela determinação do seu padrão de consumo. Considerando que a familiaridade com os alimentos é o primeiro passo para a criança aprender sobre o gosto dos alimentos, é correto que a aprendizagem pela exposição repetida aos alimentos proporcione a familiaridade necessária para a criança estabelecer um padrão de aceitação alimentar. Nesta perspectiva, para que as escolhas das crianças sejam por alimentos saudáveis, é importante que os pais ofereçam estes alimentos diariamente, favorecendo a familiarização e o paladar e evitando exposição a alimentos indesejáveis.
Além disso, é importante ressaltar que o comportamento dos pais pode modelar o estilo alimentar de seus filhos. Assim, as estratégias alimentares dos pais na hora das refeições contribuem para a aquisição das preferências alimentares da criança e para o controle interno da fome e saciedade. Alguns pais se preocupam mais com a quantidade de alimentos do que com o desenvolvimento de hábitos e atitudes direcionadas a padrões de alimentação mais adequados. Nestes casos, é comum incentivarem os filhos a comer mais, mesmo quando eles já estão satisfeitos, o que pode influenciar na aprendizagem da criança sobre sua sensação interna de fome e saciedade, tendo como resultado o aumento de peso do filho.
Conclui-se, então, que o processo de aprendizagem é um dos fatores determinantes do comportamento alimentar da criança, o qual está condicionado a fatores como a sugestão do sabor dos alimentos, a consequência pós-ingesta da alimentação e o contexto social. Por estas e outras razões é que os pais exercem um papel crucial no desenvolvimento saudável do padrão alimentar de seus filhos.
NPE – Núcleo de Psicologia Escolar URI-FW – Fone: (55) 3744-9253
Professora Responsável: Edinara Michelon Bisognin
Estagiárias: Gisela dos Santos, Josiani Galli, Kamila Trautmann, Karoema Dias.
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